quarta-feira, 17 de outubro de 2007

15º Corte ( - Havia um cisto. - )

Um cisto entranhado nas carnes vivas de um Porco.

O animal andava de um lado ao outro esperando a ração ser servida naquele dia. O que o tal Porco não sabia, era que aquele dia era um dia especial.

O último dia de sua inútil vida.

Diferindo-se dos outros companheiros suínos, tensos por causa das péssimas condições de alojamento, ele não via a hora de servirem a ração com farelo de ossos de outros porcos.

Porcos canibais.

Ele era Porco bem diferente dos outros. Especialmente por uma bela ferida necrosada se afundando em seu dorso. Não se importava com as instalações deprimentes daquele abatedouro clandestino.



Os outros porcos sentiam no ar algo indubitavelmente errado e se agitavam atacando uns aos outros. Ele não. Sentia apenas o cheiro de cadáveres de outros porcos sacrificados no dia anterior. Dava mais fome. Uma torturante fome que corroia seu estômago.

Fazia um frio de sete graus lá fora, quando um homem de avental segurando uma pistola de eletro choque deu seus passos na direção do curral. O assíduo carrasco.

Ele cuspiu o filtro de cigarro.

Estalou os dedos.

E sacudiu a pistola.

Tensão de duzentos e quarenta volts.

Exatas.

Conforme se aproximava, o desespero tomava conta dos suínos.

Apesar das drogas na ração, para evitar que os porcos se matassem devido ao pouco espaço, parecia sobrenatural a maneira como os animais se agitavam e sabiam o que estava para se suceder ali.

Não haveria uma última refeição para o nosso Porco. E ele não se importava. Contentava-se apenas com as fezes secas de outros porcos no chão.

O choque repentino de duzentos e quarenta volts correu pelas fibras musculares do Porco fazendo revirar os olhos e babar.



Estava tão gordo e sedentário devido à castração que caiu imediatamente. Um outro ligeiro choque serviu para que ele se levantasse grunhindo.

Os cem porcos alucinados foram conduzidos a pancadas elétricas no crânio até um corredor completamente escuro. Apenas uma saída no cercado. Era um abatedouro pequeno.

Todos os animais entalaram no breu. Gemendo e mordendo-se. Mutilando-se em meio ao desconhecido.

Agora o Porco não estava mais tranqüilo.

Mesmo sem ter a capacidade de produzir uma gota de testosterona, ele podia ouvir um vermezinho chamado instinto dentro do seu sangue berrando:

- Corra Porco! Corra!

Ele derrubou três outros porcos no chão antes de encontrar o fim do corredor. Correu como um atleta olímpico antes de dar de frente com a própria morte no fim do corredor.

Ao se abrir a porta uma luz surgiu descrevendo a silhueta de outro homem com uma daquelas pistolas elétricas mortais.

Só precisou de uma descarga e o infeliz animal caiu com um baque surdo no chão. O homem de avental e botas brancas puxou o Porco para fora e fechou a porta de madeira. Um porco rebelde tentou sair logo atrás e ganhou de recompensa o choque responsável por estourar a mucosa de seu focinho.

Ele grunhiu. O homem sorriu.

Depois disso, pendurou o Porco de ponta cabeça em ganchos de aço inoxidável novos, perfurando os pés.

As pernas não agüentaram o peso da carne gordurosa do animal.

Clac!

Cederam e se quebraram dolorosamente. O Porco guinchou de dor.

O homem sorriu novamente; acendeu um cigarro. Jogou o fósforo saindo fumaça na cara do Porco.

A tensão fez o animal morder a própria língua ainda dormente por causa do choque elétrico.

O Porco só conseguia ouvir. As lágrimas e o aumento da pressão no globo ocular impediam que enxergasse, então ouviu o barulho do cutelo sendo apanhado na bancada de alumínio.


Os passos.

Aquele riso. Podia ouvir os lábios rangendo enquanto o Carrasco sorria.

Ele deu alguns passos ruidosos quando se aproximou. Sugou mais fumaça pra dentro dos pulmões. O cigarro entre os dentes.

- É porquinho. Dessa vez você é o porco e eu sou Deus! Quem sabe da próxima vez você dê sorte e a gente inverta os papeis? Hein? AHAHAHA!

Ele encostou a lâmina na garganta do infeliz e, como eu dizia antes:

“Havia um cisto”.

“Um cisto entranhado nas carnes vivas de um Porco”.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Mil Perdões, amados leitores...

Peço mil desculpas aos leitores do Carne Humana por não estar dando freqüência devida à história. Tenho corrido atrás de muita coisa e acabo deixando um pouco de lado esse meu compromisso com vocês, amados leitores.
Tenho muitas surpresas guardadas dentro de minhas entranhas e dependo de uma intensa pesquisa (devido ao meu parco conhecimento sobre o próprio mundo) para engendrar uma história que realmente valha a pena ser lida.





Há dois dias que terminei de ler o segundo livro da série A torre negra de Stephen King, e na empolgação coloquei essa música aí do lado, feita pelo projeto Demons&Wizards que faz referência veemente à história.
Deixo a vocês, aconselhando que leiam o livro!, a letra e sua respectiva tradução esperando que gostem:






Demons & Wizards - Wicked Witch
Hansi Kursch

There is a demon
An evil mind
Inside us
Oh I know, I know
We all know the rules
When water will be shed
The wicked witch is...

This is the end of all the miracles
Farewell to you yellow brick road

Everything she is asking for
It all belongs to her
Now she's gone into nothingness
There she waits

Still I can hear her singing in the room
In the room I know she's gone
I've thought "She'll never fail,
All magic will be gone
The day she'll melt away"

This is the end of all the miracles
Still I hear her singing in the dark
Truth has changed, her voice it stays the same
Farewell to you yellow brick road
Still I hear her singing in the dark
While time goes on her voice will fade away

"They are all, they're everything, they are mine
Silver shoes you're mine, you are mine,
You are mine"

Hate will live on

This is the end of all the miracles
Farewell to you yellow brick road

The wicked witch is dead ...





Demons & Wizards - Wicked Witch (tradução)
Hansi Kursch

Bruxa Má

Existe um demônio
Uma mente má
Dentro de nós
Oh, Eu Sei, Eu Sei
Nós todos conhecemos as regras
Quando a aguá se tornar vertente
A Bruxa má está.

Esse é o fim de todos os milagres
Adeus para você estrada de tijolos amarelos

Tudo que ela está perguntando
Pertence a ela
Agora ela está indo para o nada
Lá ela esperará

Ainda eu a ouço cantando no quarto
No Quarto, Eu sei ela se foi...
Eu pensei, "Ela nunca fosse falhar"
Toda a magica se foi....
O Dia se derreterá...

Esse é o fim de todos os milagres
(Ainda eu a ouço cantando na escuridão)
A Verdade mudou, Sua Voz continua a mesma
Adeus para você estrada de tijolos amarelos
(Ainda eu a ouço cantando na escuridão)
Quando o Tempo Passa e sua voz desaparecerá

"Eles são todos, Eles são tudo, Eles são meus.
Sapatos de prata você é meu, Você é meu

Ódio irá viver...

Esse é o fim de todos os milagres
Adeus para você estrada de tijolos amarelos

A Bruxa Má Está morta...