“Ode a morte, Opus seiscentas e sessenta e seis”.
Tudo porque um cara bonito mudara de idéia e resolvera atirar...
Áhlima e Iúre correram para a porta fazendo ruídos metálico com a cadeira de rodas.
Eu caí, sentindo uma leve dormência devido aos pedaços de chumbo que penetravam minhas costas. Minha coxa esquerda se encharcou toda com o sangue do meu traseiro. Esse projétil desgraçado saiu pela parte da frente da minha perna.
Além do barulho ensurdecedor dos tiros e da cadeira de rodas se afastando desesperada, eu pude ouvir Júlio gritando aos seus colegas:
“O maluco jogou a bomba, cara! Corre! Corre, senão a gente vai morrer!!!”
O explosivo de fabricação caseira voou da mão de Iúre até chocar-se na superfície áspera de uma das mesas, estimulando os componentes químicos instáveis no interior da embalagem reagirem.
Iúre atirou-o bem longe do meu corpo caído no chão.
Mas não o suficiente para evitar que eu sentisse seu calor, e me fazer umas queimaduras de primeiro grau nas pernas.
Choveu sangue de alunos secundaristas para todos os lados. A decoração fora radicalmente modificada naquele dia. Disso não se podia duvidar.
A fuga dos dois prosseguiu até alcançarem o ar mormacento das ruas. Para bem longe de mim e dos tiros homicidas.
Eu fiquei ali, deitado, apreciando o cheiro de carne queimada dos colegas de Júlio. Que por sua vez, se abrigou bem rápido, usando dois de seus companheiros como escudo humano. Para o alívio das garotas que o idolatravam, saiu ileso daquela explosão.
Antes de meus sentidos caírem num profundo torpor, alguém se aproximou de mim, eu acho. Mas não agüentava mais a dor. Adormeci como uma criança com as pernas queimadas.
Foi naquele dia, não sei se em sonho ou desperto que vi pela primeira vez Stephen.
Meu amigo, um dos melhores: senhor Stephen K.